Sobre a aplicação da Norma Transitória do DL 57/​2016 – Lei 57/​2017


À ABIC têm che­ga­do vá­ri­as men­sa­gens de co­le­gas a de­nun­ci­ar a for­ma co­mo as ins­ti­tui­ções pen­sam im­ple­men­tar a Norma Transitória (NT) do Decreto Lei 57/​2016, al­te­ra­do pe­la Lei 57/​2017 (DL57). Para além do atra­so na sua im­ple­men­ta­ção – os con­cur­sos aber­tos até 31 de de­zem­bro fo­ram pra­ti­ca­men­te ine­xis­ten­tes -, cor­re-se o ris­co de as ins­ti­tui­ções não abri­rem con­cur­sos ao abri­go da NT até 31 de agos­to com o in­tui­to de evi­tar a sua obri­ga­ção de abrir con­cur­sos, da­da a ca­du­ca­ção da NT após es­sa da­ta. Neste mo­men­to, pre­o­cu­pam-nos si­tu­a­ções co­mo as seguintes:

1) Existem ins­ti­tui­ções que es­tão em­pe­nha­das em re­a­li­zar os con­tra­tos com os in­ves­ti­ga­do­res atra­vés das as­so­ci­a­ções de di­rei­to pri­va­do, sem fins lu­cra­ti­vos, de que são as­so­ci­a­das (e.g. o IST-ID, no ca­so do Instituto Superior Técnico, ou a FCiências.ID, no ca­so da Faculdade de Ciências, am­bas ins­ti­tui­ções da Universidade de Lisboa – no se­gun­do ca­so exis­te a par­ti­cu­la­ri­da­de da FCiências.ID ter si­do cons­ti­tuí­da após a pu­bli­ca­ção do DL57, não ten­do os in­ves­ti­ga­do­res qual­quer li­ga­ção com a mes­ma). Chamamos a aten­ção pa­ra o fac­to de es­te ti­po de con­tra­ta­ção no âm­bi­to de “di­rei­to pri­va­do” (den­tro de uni­ver­si­da­des pú­bli­cas) li­mi­tar o di­rei­to de aces­so à car­rei­ra, pa­re­cen­do ser es­te o ob­je­ti­vo das ins­ti­tui­ções que es­ta­rão as­sim a ir con­tra o pre­vis­to no DL57.

2) Também cons­ta que há uni­ver­si­da­des que pre­ten­dem abrir con­tra­tos, em fun­ções pú­bli­cas, de três anos e não de seis pa­ra não se­rem obri­ga­das a in­te­grar os in­ves­ti­ga­do­res ao fim dos seis anos, co­mo pre­vis­to na lei.

3) Há ain­da ins­ti­tui­ções que não pre­ten­dem abrir os con­cur­sos a que são obri­ga­das quan­do o con­tra­to não é fi­nan­ci­a­do pe­la FCT (e o fi­nan­ci­a­men­to se­rá da pró­pria ins­ti­tui­ção). Ora, as ins­ti­tui­ções não de­vi­am po­der apli­car ape­nas uma par­te da lei.

Importa sa­li­en­tar que es­tes pro­ce­di­men­tos man­têm e pro­lon­gam o pro­ble­ma da pre­ca­ri­e­da­de e vul­ne­ra­bi­li­da­de no Sistema Tecnológico e Científico Nacional, con­tra­ri­an­do o ob­je­ti­vo do DL57 de re­gu­la­ri­za­ção dos con­tra­tos de tra­ba­lho co­mo in­ves­ti­ga­do­res, e a pos­si­bi­li­da­de de en­tra­da nos qua­dros das uni­ver­si­da­des (qua­dros es­ses atu­al­men­te en­ve­lhe­ci­dos e de­sa­tu­a­li­za­dos). Além dis­so, e não me­nos re­le­van­te, de­mons­tra má-fé por par­te das ins­ti­tui­ções, que as­sim pre­ten­dem man­ter, ou mes­mo au­men­tar, a pre­ca­ri­e­da­de e a vul­ne­ra­bi­li­da­de dos seus in­ves­ti­ga­do­res. Se o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior na­da fi­zer em re­la­ção a is­to, es­ta­rá a ser cúm­pli­ce das ins­ti­tui­ções, con­tra­ri­an­do a Assembleia da República e de­frau­dan­do as ex­pec­ta­ti­vas que ele pró­prio cri­ou nos trabalhadores.

A de­nún­cia e com­ba­te a es­ta ten­ta­ti­va de sub­ver­são da lei apro­va­da é es­sen­ci­al pa­ra que a mes­ma se­ja apli­ca­da con­for­me pre­vis­to, e de uma for­ma igua­li­tá­ria por to­dos os investigadores.