Reunião com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior


Após di­ver­sas ten­ta­ti­vas, a ABIC reu­niu, no pas­sa­do 5 de fe­ve­rei­ro de 2018, com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), Manuel Heitor, pa­ra dis­cu­tir ques­tões que es­tão na or­dem do dia re­la­ti­va­men­te aos bol­sei­ros e ao em­pre­go científico.
 
Relativamente ao Programa de Estímulo ao Emprego Científico, o MCTES en­ve­re­dou por um “dis­cur­so de su­ces­so”, com o sis­te­má­ti­co pré-anún­cio de con­cur­sos, de con­tra­tos de tra­ba­lho, e de bol­sas, fa­zen­do por ig­no­rar que até à da­ta pou­co do que foi pro­me­ti­do foi cum­pri­do, e que os da­dos que apre­sen­ta, ou que afir­ma co­nhe­cer, es­tão lon­ge da re­a­li­da­de. A ABIC mos­trou a sua pre­o­cu­pa­ção pe­ran­te a exis­tên­cia de vá­ri­os con­cur­sos aber­tos si­mul­ta­ne­a­men­te po­den­do es­ta so­bre­po­si­ção ser dis­fun­ci­o­nal e po­den­do ha­ver des­per­dí­cio de ver­bas no ca­so de um can­di­da­to ga­nhar mais do que um con­cur­so. Foi es­cla­re­ci­do que a ver­ba pas­sa­ria pa­ra o can­di­da­to se­guin­te, ain­da que o his­tó­ri­co nes­ta área re­me­ta pa­ra uma pre­vi­são diferente.
 
Da (não) apli­ca­ção do DL57: Sobre a es­tag­na­ção em que se en­con­tra a apli­ca­ção do DL57/​2016, ao fac­to de as uni­ver­si­da­des não o es­ta­rem a apli­car, e ao trá­gi­co pa­re­cer le­gal que a FCT di­vul­gou (na pá­gi­na re­fe­ren­te à apli­ca­ção da Norma Transitória [NT]) so­bre a ca­du­ci­da­de da va­li­da­de da NT a 31 de agos­to, quan­do ques­ti­o­na­do, o Ministro afir­mou que não es­tão pre­vis­tas quais­quer san­ções na lei, por se tra­tar “de um es­tí­mu­lo po­si­ti­vo”. Relativamente à ques­tão de 1 bol­sa dar ne­ces­sa­ri­a­men­te ori­gem a 1 con­cur­so pa­ra 1 con­tra­to, o Ministro afir­mou que a Lei era cla­ra a es­se res­pei­to e in­di­ca­va es­sa re­la­ção. Foi as­sim so­li­ci­ta­do ao Ministro que, em ca­da edi­tal, fos­se co­lo­ca­da a re­fe­rên­cia da bol­sa que lhe deu ori­gem, pa­ra não per­mi­tir si­tu­a­ções pou­co cla­ras. O Ministro foi pe­ren­tó­rio em afir­mar que não irá le­gis­lar nem re­gu­la­men­tar mais. Nos ca­sos dos in­ves­ti­ga­do­res que, en­tre­tan­to, fi­ca­ram sem bol­sa, não ten­do ain­da si­do se­quer aber­to o con­cur­so pa­ra as su­as fun­ções a que a NT obri­ga, o Ministro re­pe­tiu que a so­lu­ção fi­nan­cei­ra pa­ra es­tes ca­sos é pa­ra ser fei­ta atra­vés do “fi­nan­ci­a­men­to plu­ri­a­nu­al” das uni­da­des, por trans­fe­rên­cia de ru­bri­cas, não sen­do is­so um pro­ble­ma pois to­das têm uma ta­xa de exe­cu­ção bai­xa. À ques­tão do porquê o si­lên­cio e a vi­sí­vel inér­cia do Ministro em fa­zer apli­car o DL57/​2016 e sua já cé­le­bre Norma Transitória — “via” que anun­ci­a­va a en­tra­da de mi­lha­res de bol­sei­ros —, pa­ra sur­pre­sa da ABIC, a tu­te­la pa­re­ce ago­ra mi­ni­mi­zar es­sa nor­ma co­mo “fer­ra­men­ta” de es­tí­mu­lo ao em­pre­go ci­en­tí­fi­co, in­cen­ti­van­do os bol­sei­ros a con­cor­rer aos ou­tros me­ca­nis­mos que se en­con­tram ago­ra disponíveis.
 
PREVPAP: Relativamente à si­tu­a­ção dos BGCTs e ao fac­to de es­tes po­de­rem per­der par­te do seu ren­di­men­to (ca­so dos dou­to­ra­dos) após a in­te­gra­ção na car­rei­ra, Manuel Heitor afir­mou que o PREVPAP foi con­ce­bi­do pa­ra car­rei­ras ge­rais – e não es­pe­ci­ais – e que, no com­ba­te à pre­ca­ri­e­da­de, de­ve­rão ser co­lo­ca­dos na se­gun­da po­si­ção re­mu­ne­ra­tó­ria da car­rei­ra de Técnico Superior.
Perante a ques­tão do fu­tu­ro dos ex­cluí­dos, a res­pos­ta não foi cla­ra: de acor­do com o ju­ris­ta pre­sen­te, a ex­tin­ção do vín­cu­lo pa­ra os que não fo­rem in­te­gra­dos na car­rei­ra, dei­xou de es­tar pre­sen­te. Ou se­ja, os que não in­te­gra­rem a car­rei­ra po­dem con­ti­nu­ar a ser pre­cá­ri­os, nas mais di­ver­sas for­mas, ain­da que o seu pos­to de tra­ba­lho não se­ja extinguido.
 
Produtividade ci­en­tí­fi­ca e pa­ren­ta­li­da­de – Concurso Individual: Face à for­ma co­mo o pe­río­do de li­cen­ça de pa­ren­ta­li­da­de es­tá a ser ana­li­sa­do na FCT (uni­ca­men­te o tem­po de li­cen­ça -4/​5 me­ses), Manuel Heitor re­fe­riu não ter da­do quais­quer in­di­ca­ções nes­se sen­ti­do e que tal se tra­ta­va du­ma si­tu­a­ção sem ca­bi­men­to e que iria ave­ri­guar a ques­tão jun­to da FCT.
Concurso de Projectos de Investigação: Haverá fi­nan­ci­a­men­to pa­ra 2000 pro­jec­tos, e não 600 con­for­me ini­ci­al­men­te pre­vis­to, cu­jos re­sul­ta­dos se­rão anun­ci­a­dos até ao fi­nal da se­ma­na [16 de fe­ve­rei­ro]. Prevê-se uma ta­xa de acei­ta­ção en­tre 30/​35%.
 
Bolsas de Doutoramento: FCT abri­rá ain­da es­te mês o con­cur­so de 2018 (ide­al­men­te, fi­xan­do a da­ta de aber­tu­ra nes­te mês) e se­rão atri­buí­das 950 bol­sas (a jun­tar às que de­cor­rem no âm­bi­to de pro­gra­mas dou­to­rais ain­da em curso).
 
Foi com cons­ter­na­ção que a ABIC ter­mi­nou a reu­nião cons­ta­tan­do o que já há mui­to se anun­ci­a­va: o de­no­mi­na­do pro­gra­ma de es­tí­mu­lo ao em­pre­go ci­en­tí­fi­co es­con­de a von­ta­de de per­mi­tir a eter­ni­za­ção dos con­tra­tos a pra­zo. As po­si­ções que têm si­do to­ma­das pe­las ins­ti­tui­ções, as­sim co­mo a pos­tu­ra do mi­nis­tro, des­res­pei­tam as ex­pec­ta­ti­vas que mui­tos in­ves­ti­ga­do­res têm vin­do a cri­ar em tor­no da me­lho­ria da sua si­tu­a­ção laboral.