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 Current page : INÍCIO      INQUÉRITOS      Aveiro 2006
O presente documento vem na sequência do relatório preliminar dos resultados (difundido no passado mês de Abril), e tem como principal objectivo a análise integral das respostas obtidas. Sempre que possível, optou-se por uma análise cruzada da informação, no sentido de uma melhor compreensão de comportamentos e expectativas face à actividade desenvolvida enquanto bolseiro.


PARTE A – CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO ACTUAL

Questão 1. - Qual o seu sexo?
Questão 2. – Em que faixa etária se enquadra?
Do universo de bolseiros que responderam ao questionário desenvolvido pelo NBIUA, cerca de 2/3 são mulheres (Figura 1). Do ponto de vista etário, o grupo mais representativo é o que compreende os jovens investigadores entre os 26 e os 30 anos, com mais de metade das respostas. Importa ainda salientar que 29% dos inquiridos apresentam idades superiores a 31 anos, constatação que pode indiciar uma tendência de excessivo recurso à figura de bolseiro para justificar a permanência e assegurar as actividades dos investigadores na UA (Figura 2).
 
Questão 3. - Qual a sua naturalidade (distrito)?
A análise da naturalidade dos bolseiros inquiridos revela que a grande maioria provém de outros distritos, que não o de Aveiro (Figura 3). Ainda assim, o peso relativo do distrito de Aveiro é grande, dentro do universo de bolseiros da UA, indicando um peso regional forte da UA ao nível da pós-graduação.
 
Questão 4. – Em que instituição obteve o seu curso superior/licenciatura?
A grande maioria dos inquiridos obteve o seu grau de licenciatura na Universidade de Aveiro (Figura 4). Esta significativa expressão de diplomados da Universidade de Aveiro a desempenharem funções de bolseiro de investigação indicia uma forte capacidade por parte da UA em absorver os seus próprios alunos. Por outro lado, é também indicadora da reduzida mobilidade dos bolseiros de investigação, que optam por seguir um percurso pós-graduado na mesma Universidade que os formou.

Questão 5. – Possui outro grau académico para além do curso superior/licenciatura?
Questão 6. – Caso a resposta anterior tenha sido afirmativa, indique em que instituição obteve esse grau.  
Mais de metade dos inquiridos possui um grau académico para além da licenciatura (Figura 5), sendo que a grande maioria destes indicou ter obtido esse grau na Universidade de Aveiro (Figura 6). Estes resultados sugerem, uma vez mais, que a UA possui uma forte capacidade de atracção e retenção sobre os seus alunos. No entanto, reforça também a ideia de que a mobilidade dos bolseiros de investigação é menor que o desejado.

Questão 7. – Indique o Departamento/Secção Autónoma da Universidade de Aveiro ao qual está adstrita a sua actividade de investigação (ou supervisor/orientador), mesmo que este não seja o local físico onde exerce a sua actividade.
Do ponto de vista da representatividade departamental, importa em primeiro lugar dizer que todos os Departamentos/Secções Autónomas da UA constam do conjunto das 233 respostas conseguidas. A maior percentagem de respostas provém dos departamentos de Química e Biologia (em conjunto, representam 42,4% do universo de bolseiros da UA). Seguidamente, por ordem decrescente de representatividade, aparece o Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa (DDTE), seguindo-se os Departamentos de Ambiente e Ordenamento (DAO), Eng. Cerâmica e Vidro (DCV), Física (DFIS), Matemática (DMAT), Geociências (DGEO), Eng. Mecânica (DMEC) e a Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas (SACSJP). Com menor representatividade (abaixo dos 4%) encontram-se os Departamentos de Electrónica e Telecomunicações, Línguas e Culturas, Comunicação e Arte, Economia, Gestão e Engenharia Industrial, Engenharia Civil e Ciências da Saúde.
 
Questão 8. – Qual foi a sua posição/situação durante o ano de 2005 na Universidade de Aveiro?
A maioria dos bolseiros de investigação na UA encontra-se envolvida em programas doutorais (Figura 8). Os bolseiros de pós-doutoramento e os alunos de mestrado representam proporções semelhantes (12 e 11%, respectivamente). Uma fatia com alguma representatividade no universo UA é a dos bolseiros não inscritos em quaisquer programas de pós-graduação (16%). Note-se que estes 16% subestimam o total de bolseiros dentro de projectos de investigação, dado que muitos alunos de mestrado, por exemplo, acumulam ambas as situações (ver análise à questão seguinte). As proporções indicadas dizem respeito à situação dos bolseiros na UA, sem que tal tenha correspondência absoluta no tipo de bolsa que usufruem (i.e. nem todos os alunos de doutoramento têm bolsas de doutoramento). A análise à questão seguinte esclarece estes pormenores.
 
Questão 9. – Indique, por favor, a natureza da sua bolsa de formação avançada.
A análise da questão 9 do questionário foi feita de forma articulada com a questão 8, no sentido de perceber a relação entre o tipo de posição ocupada pelo bolseiro na UA e a verdadeira natureza da sua bolsa de formação avançada (ver acima). Assim, os resultados obtidos permitem concluir que existe uma forte correlação entre a posição do bolseiro e a natureza da sua bolsa de investigação, excepto no caso dos alunos de mestrado. A grande maioria destes desenvolve a sua actividade de pós-graduação através de, ou em paralelo com, bolsas em projectos de investigação.

Questão 10. – Indique, por favor, a entidade financiadora da sua bolsa de formação avançada.
Do universo das respostas ao questionário, é possível concluir que a maioria das bolsas de investigação são financiadas pela FCT (70%) e, com menor expressão, pela UA (21%). O número de bolsas concedidas, na totalidade ou parcialidade, por entidades empresariais é muito pouco significativo, comprovando que há ainda um longo caminho a percorrer para assegurar uma mais forte implantação do investimento privado no financiamento da Investigação e Desenvolvimento em Portugal.

Questão 11. – Exerce actualmente outra actividade para além da investigação? Em caso afirmativo, indique a natureza do seu vínculo.
Questão 12. – Se respondeu afirmativamente à questão anterior, por favor indique o tipo de actividade exercida.
A grande maioria (72,5%) dos inquiridos não desenvolve qualquer outra actividade para além da investigação. Adicionalmente, cerca de 13% dos que desenvolvem actividades paralelas, fazem-no como serviço associado à bolsa (Figura 11), conforme expresso nos seus contratos de bolsa. Assim, apenas uma minoria de 15% exerce efectivamente actividades paralelas à bolsa de investigação. Uma análise mais detalhada destas respostas afirmativas (Figura 12) permite concluir que a grande maioria dos inquiridos centra as suas actividades paralelas no serviço de docência no Ensino Superior (61%), e com menor expressão, em outras actividades directamente relacionadas com a sua formação superior (17%) ou em formação (11%). Refira-se que muitos bolseiros desempenham actividades paralelas à bolsa, quer na docência, quer no apoio técnico aos laboratórios, mas estas actividades não são reconhecidas formalmente, pelo que não se reflectem nas percentagens aqui apresentadas. Este é um aspecto que deveria ser corrigido, pois poderá conduzir, a prazo, a um efeito negativo na motivação e responsabilização dos bolseiros envolvidos nessas tarefas (ver análise às questões 23-26).

 
PARTE B – GRAU DE SATISFAÇÃO/VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL
 
Questão 13. – A opção por uma carreira de investigação foi...
A maioria dos bolseiros de investigação da UA escolheu um percurso de investigação porque era a opção que desejavam para o seu futuro (Figura 13). Uma larga fracção tomou a opção que considerava melhor, dentro das disponíveis (34%). Apenas 8% dos inquiridos reconheceram que a sua entrada na investigação foi resultado da falta de outras opções. Este é, apesar desta falta de opções para uma minoria, um cenário extremamente positivo, já que a vasta maioria dos bolseiros optou por um percurso na investigação de forma consciente e desejada. Tal facto garante níveis de motivação altos, desde que as condições de trabalho e o futuro profissional sejam apelativos (ver análise às questões 16-18 e 32-33).

Questão 14. – Quantos anos de experiência possui em investigação?
O gráfico (Figura 14) demonstra que o grosso dos jovens investigadores da UA desempenham funções na investigação há 2-4 e 4-6 anos. Contudo, não deixa de ser importante referir que há ainda uma fatia significativa de bolseiros com mais de 6, 8 ou mesmo 10 anos de experiência.

Questão 15. – Actualmente, qual o seu grau de satisfação profissional?
De forma a uma melhor compreensão e enquadramento do grau de satisfação profissional dos bolseiros face às actividades desenvolvidas, optou-se por relacionar a questão 15 com outras duas questões, nomeadamente a ambição por uma carreira de investigador (questão 13) e os anos de experiência de investigação (questão 14).

A análise do primeiro cruzamento de dados (Figura 15a), permite relacionar os anos de experiência em investigação com o grau de satisfação profissional. O resultado mais visível é o decréscimo do grau de satisfação dos inquiridos à medida que os anos de experiência aumentam. Tal evolução (negativa) do grau de satisfação é um forte indício do descontentamento associado à precariedade das condições de trabalho e incerteza no futuro subjacente a algumas actividades dos bolseiros de investigação (ver análise às questões 16-18 e 32-33). A diminuição do número de satisfeitos é acompanhada pelo aumento do número de inquiridos conformados, o que indicia a falta de outras opções a nível profissional.  

Do segundo cruzamento efectuado, é possível concluir que, para aqueles cuja opção por uma carreira de investigação foi a opção desejada, o grau de satisfação é predominantemente satisfatório. O grau de satisfação vai diminuindo à medida em que a opção por uma carreira de investigação deixa de ser desejada para passar a ser a melhor opção disponível ou mesmo a única opção. A Figura 15b revela que apenas 35% dos inquiridos que não tiveram outra opção senão a vida de bolseiro se encontram satisfeitos com a sua actividade profissional e cerca de 65% variam entre o grau de conformado e insatisfeito.

Questão 16. – Da seguinte lista de itens, identifique os aspectos que contribuem positivamente para o seu grau de satisfação global.
Questão 17. – Da mesma lista de itens, identifique agora os aspectos que contribuem
negativamente para o seu grau de satisfação global.
Do conjunto de itens pré-definidos, os inquiridos identificaram como principais aspectos positivos associados à sua actividade profissional: o grau de dedicação e gosto pelo trabalho de investigação (trata-se de um factor de índole estritamente pessoal e individual); o nível de independência e de flexibilidade de horários; e a relação e interacção com o orientador e colegas de trabalho. Da análise da Figura 16, é ainda possível identificar outros factores com representatividade para o grau de satisfação profissional. A Figura 17 identifica, por ordem decrescente, os factores com maior influência negativa no grau de satisfação pessoal, e não é de surpreender que estes se prendam maioritariamente com o grau de precariedade actualmente associado à situação dos bolseiros, nomadamente as perspectivas de futuro profissional (indicado por 81% dos inquiridos) e a situação económica.

Questão 18. – Sente-se devidamente valorizado dentro do seu Departamento/Unidade de Investigação e na UA, vendo reconhecidas as suas capacidades?
A análise desta questão teve em linha de conta a situação do bolseiro durante o ano de 2005. A Figura 18 evidencia, desde logo, uma representatividade pouco significativa da opção “sim, sou recompensado pelas minhas capacidades”, que ganha especial pertinência ao nível dos Pós-doutorandos e Doutorandos. De uma maneira geral, é possível observar alguma ambiguidade de opiniões, e sobretudo alguma falta de percepção do próprio valor individual perante o grupo ou actividade em desenvolvimento. A incidência das respostas nas opções “sim, razoavelmente” e  “Nem sim, nem não” é indiciadora da existência de lacunas ao nível de critérios de desempenho e avaliação que deveriam ser equacionados no desenvolvimento de qualquer actividade de investigação (ver análise da questão 34).
 
Questão 19. – Como classifica a sua relação profissional com o(s) seu(s) orientador(es)/supervisor(es)?
De uma forma geral, os inquiridos estão bastante satisfeitos com a relação que mantêm com os seus orientadores/supervisores de investigação. Esta é claramente uma mais-valia fundamental a preservar.
 
Questão 20. – Alguma vez sofreu pressões do seu orientador/supervisor no sentido de adicionar (ou trocar a ordem) outro(s) autor(es) numa publicação da qual foi responsável, sem que estes tivessem contribuído significativamente para o trabalho do qual resultou a publicação?
A grande maioria dos inquiridos nunca foi pressionado a adulterar a autoria de uma
comunicação ou publicação em prejuízo próprio. À semelhança da questão anterior, esta uma situação que claramente dignifica o contexto de investigação da UA, e como tal deverá ser preservada. No entanto, existe ainda uma percentagem de casos em que tal não se verifica.
 
Questão 21. – Globalmente, qual é a sua opinião sobre a qualidade de investigação que se faz no seu grupo de investigação ou laboratório?
Globalmente, a opinião dos inquiridos face à qualidade de investigação realizada no seio do seu grupo/laboratório de trabalho é bastante positiva. Uma vez mais, é de destacar a importância deste indicador, à semelhança da questão anterior, como uma mais-valia do contexto de investigação da UA e enquanto forma de incentivo/motivação para o percurso dos jovens investigadores.            
 
Questão 22. – Quais são as suas principais motivações/aspirações para o futuro?
De forma a ter uma melhor percepção das motivações e expectativas dos jovens investigadores em relação ao seu futuro profissional, a análise desta questão entrou em linha de  conta com a situação do bolseiro no ano de 2005. Da análise da Figura 22 fica a sensação que a posição assumida pelo Bolseiro não condiciona grandemente as suas expectativas profissionais. A prossecução de uma carreira de investigador é sempre o objectivo primário, sendo que é mais acentuada nos investigadores de pós-doutoramento e nos alunos de mestrado. A docência no Ensino Superior também é uma opção relevante. Saliente-se que, ao nível dos investigadores de pós-doutoramento, o desejo de prosseguimento de uma actividade profissional fora da Academia é muito reduzido, situação que não se verifica ao analisar os restantes níveis de formação (maior abertura nas opções a escolher). Na continuidade do que já havia sido verificado na questão 11 e 12, a reduzida expressão de actividades paralelas à bolsa faz com que estas não sejam uma opção significativa nas respostas dos bolseiros da UA, a todos os níveis.

Questão 23. – Excluindo as obrigações que advêm directamente do contrato individual da sua bolsa de investigação, é comum ser-lhe solicitado/exigido o exercício de funções dentro da UA que não estão directamente relacionadas com o seu projecto de investigação?
A consideração mais importante resultante da análise das respostas a esta questão é a de que uma percentagem bastante significativa dos inquiridos desempenha funções fora do âmbito do seu plano de trabalhos. À luz daquilo que são as orientações da actividade de Bolseiro de Investigação em Portugal, esta é uma situação que deverá ser fiscalizada. No entanto, algumas actividades paralelas podem trazer mais-valias aos bolseiros e às instituições, sob determinadas condições, conforme se poderá constatar na análise das questões seguintes.

Questão 24. – Da lista seguinte, identifique as actividades paralelas que considera serem prejudiciais à sua actividade de investigador, devendo, por isso, serem exercidas por outras pessoas.
Questão 25. – Da mesma lista, identifique as actividades paralelas que considera serem positivas para a sua formação pessoal e profissional, se exercidas sem coacção.
De um conjunto de funções previamente seleccionadas, as actividades de apoio de  secretariado ou de qualquer outro tipo de serviço administrativo e as actividades de apoio directo à gestão e manutenção de laboratórios (como por exemplo inventariação e gestão de material, manutenção do espaço, etc.) foram apontadas, por uma parcela significativa de inquiridos, como as actividades que mais constrangimentos causam à normal prossecução e valorização profissional dos bolseiros de investigação (Figura 24). Da mesma lista de funções, a participação em projectos de investigação, a docência ou o apoio à docência, a participação activa em actividades de orientação de alunos e a organização de congressos reuniram uma opinião significativamente favorável por grande parte dos inquiridos, enquanto actividades positivas para a sua valorização pessoal e profissional (Figura 25). No entanto, o enquadramento destas actividades deverá ser feito numa perspectiva mais transparente do que tem sido acontecido até agora (ver questão seguinte).
 
Questão 26. – Qual é a sua opinião sobre o enquadramento deste tipo de actividades paralelas, que identificou como sendo potencialmente positivas na pergunta anterior?
A percepção positiva de algumas actividades acima identificadas, por parte dos inquiridos, deve-se, sobretudo, ao contributo das mesmas para a sua própria formação profissional e pessoal. Adicionalmente, grande parte dos inquiridos é a favor do reconhecimento formal destas actividades, sobretudo do ponto de vista curricular, situação que actualmente não se verifica. O reconhecimento formal das actividade exercidas de forma paralela pelo bolseiro, dentro do grupo de investigação a que pertence, proporcionará um grau de motivação maior e revestirá essas funções de um grau de responsabilidade maior. De destacar ainda que nenhum dos inquiridos é da opinião de que estas actividades paralelas devam ser proibidas.

Questão 27. – Teve, de forma recorrente, que auxiliar financeiramente o laboratório/gabinete onde desenvolve o seu trabalho, fazendo aquisições ou comportando outras despesas, adiantando fundos próprios? Caso a resposta seja afirmativa, indique quais as despesas mais comuns.
Questão 28. – Em caso de resposta afirmativa na questão anterior, indique se costuma ser reembolsado por essas despesa.
 A análise da primeira questão revela que a grande maioria dos bolseiros inquiridos já teve que adiantar fundos próprios para apoio ao laboratório ou gabinete de investigação onde exerce a sua actividade (Figura 27). Paralelamente, a grande maioria dos respondentes (74%) declararam que sempre, ou na grande maioria das vezes, foram reembolsados por estas despesas (Figura 28). Não obstante a regularização desta situação a posteriori, não é desejável que os bolseiros de investigação tenham de adiantar fundos próprios para garantir a sustentabilidade do seu trabalho de investigação (ou do seu grupo de trabalho), uma vez que existem meios próprios de financiamento (subjacentes à própria natureza de bolsa). Devemos destacar, como um aspecto bastante negativo, que 29% dos inquiridos nem sempre sejam reembolsados pelas despesas efectuadas. Esta situação é uma manifestação de desconsideração para com os bolseiros, por parte dos departamentos, grupos de investigação e/ou orientadores.


PARTE C – BOLSAS DE INVESTIGAÇÃO

Questão 29. – Concorreu, nos últimos três anos, a alguma(s) bolsa(s) de investigação que lhe tenha(m) sido negada(s)?
Cerca de 37% dos inquiridos concorreram a bolsas, nos últimos três anos, que lhes foram negadas (Figura 29). Destes, apenas 5% viram a bolsa ser atribuída após recurso. A distinção entre quem teve ou não bolsas recusadas é importante na análise da questão seguinte.
 
Questão 30. – Globalmente considera que os critérios de avaliação de candidaturas a bolsas de formação avançada justos e objectivos, e os painéis de avaliação isentos?
Os inquiridos que não viram bolsas serem recusadas nos últimos 3 anos não têm, na sua maioria, opinião formada sobre o assunto, como demonstram 54% dos respondentes (Figura 30a). Não obstante, os que têm opinião revelam ter uma ideia bastante negativa relativamente aos avaliadores e aos critérios de avaliação. Relativamente às Figuras 30b e 30c, às quais correspondem os resultados dos inquiridos que nos últimos três anos viram a sua candidatura a bolsa de investigação negada, é possível destacar uma opinião negativa generalizada quer face aos critérios de avaliação, quer face à isenção dos painéis de avaliação. De facto, existe um certo desconforto no processo de avaliação das candidaturas, devido à ambiguidade de situações verificadas na atribuição de bolsas, e à inexistência de procedimentos claros para a obtenção de informação relativa à avaliação efectuada. Estes pontos têm vindo a ser progressivamente clarificados por parte das instituições que financiam bolsas, mas uma maior transparência e critérios mais justos na ordenação dos candidatos a bolseiros pode minimizar o mal-estar gerado por este ponto.

Questão 31. – Qual a sua apreciação global às bolsas/subsídios de investigação e à condição de bolseiros de investigação, conforme regulamentada no Estatuto do Bolseiro de investigação?
A pertinência da compreensão desta questão levou à sua análise cruzada com duas situações distintas: a situação do candidato em 2005 (Figura 31a) e os anos de experiência de investigação (Figura 31b), com a convicção de que quer uma quer outra situação podem exercer um peso fundamental na opinião dos inquiridos. A análise da Figura 31a permite vislumbrar que a opinião face ao actual enquadramento profissional veiculado pelo Estatuto de Bolseiro é globalmente negativa ou ambígua. Este é mais um factor a ter em conta no nível de motivação dos bolseiros de investigação. A opção “globalmente positiva” foi sempre minoritária e, exceptuando 1 bolseiro de doutoramento, nunca foi assinalada a opção “Muito positiva”. Note-se que não parece haver uma tendência para uma apreciação mais negativa em função de uma situação profissional mais avançada. Curiosamente, foram os alunos de mestrado os que revelaram ter uma opinião mais negativa acerca da sua condição de bolseiro.  
 
Relativamente à relação entre a apreciação global da actividade do bolseiro e a experiência em investigação (em anos), a evidência dos resultados demonstra que o quadro se vai tornando mais negro à medida que o tempo avança. A insatisfação perante a situação de bolsa e perante a situação de bolseiro vai-se tornando progressivamente mais negativa, com menos inquiridos a escolherem a opção “globalmente positiva”. Parece óbvio que o desgaste associado à incerteza no futuro e à falta de reconhecimento e regalias afecta a sua visão da condição de bolseiro.

Questão 32. – Da seguinte lista, assinale os aspectos que considera serem os mais positivos/atractivos relativamente às bolsas e à condição de bolseiros, por funcionarem de forma eficiente?
Questão 33. – Da mesma lista da questão anterior, assinale agora os aspectos que considera serem os mais negativos/desencorajadores relativamente às bolsas e á condição de bolseiros, por funcionarem de forma deficiente?
Os aspectos considerados como mais positivos na condição de bolseiro foram, para a maioria dos respondentes (mais de 50% das preferências), a flexibilidade de horários e a independência da actividade, o financiamento de propinas (no caso exclusivo de bolsas de pós-graduação) e o financiamento para participar em reuniões científicas e estágios no estrangeiro (Figura 32). Pelo contrário, os aspectos identificados como mais negativos pela grande maioria dos inquiridos foram o futuro profissional, a situação económico-financeira e a inexistência de vínculo à instituição (Figura 33). Ao analisar estes dados em conjunto com as questões anteriores percebe-se o desgaste que é causado aos bolseiros pelo arrastar de uma situação indefinida (a condição de bolseiro) por muitos anos.

Questão 34. – Concorda com a implementação de sistemas de avaliação de desempenho dos Bolseiros, que permitam avaliar continuamente as suas competências multifacetadas, contribuindo deste modo para a valorização dos mais competentes?
Mais de dois terços dos inquiridos crê ser necessária a implementação de sistemas de avaliação de desempenho dos bolseiros. A opção “não concordo”, sob as duas perspectivas indicadas, não reuniu mais que 9% das opiniões dos respondentes. Os presentes dados sugerem a necessidade de se promover um debate acerca dos moldes em que se poderia implementar um tal sistema de avaliação.

Questão 35. – Deve a figura de bolseiro aproximar-se da figura de investigador contratado, eliminado progressivamente a figura de subsídio de formação avançada? Caso a resposta seja afirmativa, indique em que cenário tal deve acontecer.
As respostas a esta questão não reuniram maioria em nenhuma das opções dadas. No entanto, é possível constatar uma clara preferência dos inquiridos por uma aproximação da figura de bolseiro à figura de investigador contratado, sem qualquer excepção. A manutenção da situação tal qual como está foi rejeitada pela quase totalidade dos respondentes. Os bolseiros sentem, pois, a necessidade de serem reconhecidos como profissionais, o que por enquanto está bem longe da realidade.

Questão 36. – Usufrui ou já usufruiu do regime de seguro social voluntário (SSV) enquanto bolseiro?
A maioria dos bolseiros de investigação usufrui do único regime de segurança social a que têm direito (Figura 36). Há, contudo, um número ainda relativamente elevado de bolseiros que não usufruem do SSV. Fica por esclarecer qual a proporção de bolseiros que o fazem por opção, por considerarem que este regime não lhes é favorável, ou por desconhecimento. A análise à questão seguinte sugere a predominância da segunda hipótese (ver questão seguinte).

Questão 37. – Como caracteriza o regime de segurança social (seguro social voluntário) actualmente disponível para usufruto dos bolseiros?
Dos inquiridos que usufruem, ou já usufruíram (Figura 37a), do seguro social voluntário, cerca de 66% classificam-no como mau ou medíocre. As categorias positivas (de Excelente a Bom) apenas reuniram 7% das opiniões, o que não deixa margem para dúvidas acerca da fraca prestação deste tipo de seguro na protecção social que confere aos bolseiros. A mesma opinião negativa generalizada foi observada entre os bolseiros que nunca usufruíram deste seguro (Figura 37b). De entre estes últimos, foi registada uma elevada taxa de inquiridos sem opinião formada (44%). Isto poderá sugerir que a opção de não usufruir do SSV terá resultado de outros motivos que não o conhecimento da precariedade do SSV enquanto mecanismo de protecção social do bolseiro de investigação.

Questão 38. – Qual é a sua posição acerca da exclusividade associada às bolsas de investigação?
A questão do regime de exclusividade, actualmente associado às bolsas de investigação (independentemente do tipo), não reúne consenso relativamente à forma como deve ser equacionado. Os cenários extremos (total exclusividade versus nenhuma exclusividade) obtiveram fraca adesão por parte dos inquiridos (3 e 12%, respectivamente). As opções que registaram maior frequência de resposta foram aquelas que contemplam um regime de exclusividade com excepções (Figura 38). Os bolseiros indicaram claramente que as excepções devem estar definidas estatutariamente de forma clara, sem a actual margem de ambiguidade. Mais, os respondentes admitiram a restrição temporal (em horas/semana) destas excepções, no sentido de um melhor planeamento e estruturação de actividades paralelas, ressalvando a prioridade ao seu trabalho de investigação. É de destacar também uma frequência de 17% na opção de resposta “exclusividade diferente para cada tipo de bolsa”, o que vem reconhecer as diferentes especificidades dos vários tipos de bolsa (bolsa de investigação, bolsa de mestrado, bolsa de doutoramento, bolsa de técnico, bolsa de pós-doutoramento). Esta questão parece-nos merecedora de debate alargado, porque poderá ter implicações para além do regime de exclusividade.

Questão 39. – Do seu ponto de vista, quão pertinente é a actualização periódica dos montantes de bolsa?
São unânimes as opiniões em torno da pertinência da actualização dos montantes de bolsa, sobretudo para fazer face às taxas de inflação e ao consequentemente aumento do custo de vida.

Questão 40. – Qual a sua opinião sobre o actual Estatuto de bolseiro de Investigação (Lei no 40/2004, de 18 de Agosto)?
Esta pergunta relaciona-se sobretudo com a necessidade de percepção do conhecimento do bolseiro relativamente à sua condição jurídico-legal, uma vez que se considera que este é fundamental na gestão e prossecução harmoniosa das suas actividades. Assim, do conjunto de respostas recebidas, é de salientar como preocupante o facto de 27% dos respondentes desconhecerem por completo o diploma e 13% não terem sobre ele uma opinião formada (Figura 40). Não obstante este aspecto negativo, saliente-se que, das restantes categorias de respostas, a maioria dos bolseiros inquiridos (42%) é da opinião de que este Estatuto carece de revisão, no sentido de ser melhorado. Ainda assim, foi reconhecido um esforço da parte da tutela no sentido de melhorar o diploma anterior por parte de 19% dos inquiridos.
 
Questão 41. – Por último, quantos artigos publicou nos últimos dois anos (2004 e 2005) em revistas internacionais com arbitragem científica (peer-reviewed)? Por favor, contabilize apenas as publicações que já saíram nas revistas.
A produção científica dos Bolseiros de investigação que reponderam ao questionário parece dar a ideia de que fica um pouco aquém das expectativas, dado que cerca de 38% dos respondentes não produziram nenhuma publicação nos últimos dois anos. No entanto, há que ter em consideração a heterogeneidade do universo amostrado. Cada área científica tem a sua especificidade e nem em todas as áreas o objectivo final passa pela produção de manuscritos a submeter a jornais internacionais (ex.: produção de material didáctico, elaboração de teses, etc.). Ainda assim, e tendo em conta que se tratam de jovens investigadores, parece bastante razoável que 62% dos bolseiros de investigação tenham contribuído com pelo menos um artigo nos últimos dois anos em revistas da sua especialidade, revisto pelos seus pares. Os casos mais frequentes foram a produção de 1 ou 2 artigos, mas há casos de produção científica notável nos últimos dois anos.


PARTE D – EXCLUSIVO PARA BOLSEIROS DE PÓS-DOUTORAMENTO
 
Questão 42. – Como bolseiro de pós-doutoramento da Universidade de Aveiro é reconhecido como membro efectivo da sua Unidade de Investigação com iguais direitos e deveres que qualquer outro doutorado (incluindo docentes)?
A maioria dos bolseiros de pós-doutoramento respondentes afirma não ser reconhecido como membro efectivo da Unidade de Investigação (UI) onde desenvolve o seu trabalho.
Mais ainda, os que têm este reconhecimento, têm-no apenas em determinadas situações (Figura 42). Tal situação revela um total desrespeito pelo trabalho e valor (academicamente comprovado) destes investigadores, factor claramente negativo na avaliação da qualidade do ambiente de investigação proporcionado pela UA.
 
Questão 43. – Quantas candidaturas a projectos de investigação financiados (pela FCT ou outra entidade) ajudou a preparar nos últimos dois anos 2004 e 2005)?
A falta de reconhecimento destes investigadores (ver questão anterior) dificulta a sua contribuição para o desenvolvimento de projectos de investigação. Talvez por isso, a maioria dos respondentes não tenha participado na elaboração de candidaturas a projectos de investigação. Ainda assim, e dado a questão ser relativa apenas aos últimos dois anos, nota-se o esforço dos bolseiros de pós-doutoramento na obtenção de financiamento e na dinamização das equipas de trabalho em que estão inseridos.

Questão 44. – Em quantas destas candidaturas é o Investigador Responsável?
A esmagadora maioria dos investigadores de pós-doutoramento que colaboraram na preparação ou elaboraram de projectos de investigação não ocupam o cargo de investigador responsável nesses mesmos projectos de investigação. É de esperar que esta tendência se inverta, já que nos parece fundamental que o dinamismo e a mais-valia destes jovens doutorados sejam premiados e reconhecidos com a oportunidade de coordenar projectos.

Questão 45. – Como Investigador Responsável de projectos de investigação está autorizado a assinar documentos de despesa e contratações?
O universo de inquiridos para esta pergunta foi muito reduzido, pelo que se deverá empregar alguma cautela na análise destes resultados. Ainda assim, não deixa de ser preocupante que os investigadores de pós-doutoramento vejam a sua autonomia limitada pelo seu enquadramento enquanto bolseiros de investigação. A análise da Figura 34 permite concluir que a grande maioria destes bolseiros estão dependentes de terceiros para gerir os seus próprios projectos de investigação, em virtude de entraves burocráticos. Os resultados da pergunta 42 já indiciavam esta conclusão, pelo que é fundamental que haja uma harmonização de procedimentos dentro da UA no sentido de desbloquear os entraves que em nada dignificam a estrutura administrativa da UA ou os investigadores em pós-doutoramento.


CONCLUSÃO:
A elaboração, administração, recolha e análise dos inquéritos por questionários à comunidade de bolseiros de investigação da Universidade de Aveiro constitui-se como um primeiro esforço de caracterização deste público alargado e heterogéneo, quer pela natureza das suas bolsas, quer pela área científica de trabalho ou pela sua experiência em investigação. Permitiu ainda recolher opiniões acerca de um conjunto de temas bastante prementes para a vida do bolseiro, como o estatuto do bolseiro, o regime de exclusividade, a segurança social, as condições de trabalho na instituição e as principais preocupações inerentes à sua condição de bolseiro.   

Em jeito de síntese, podemos afirmar que, em primeiro lugar, se denota um peso importante da UA em termos da formação pós-graduada, constituindo-se como uma instituição com grande capacidade para captar os seus alunos da formação inicial para a prossecução de trabalho pós graduado e/ou de investigação e, ao mesmo tempo, oferecendo aos bolseiros a oportunidade para se integrarem em grupos de trabalho considerados, pelos próprios, de qualidade e com uma boa orientação. Em termos da caracterização geral dos bolseiros, podemos dizer que os seus financiamentos advêm sobretudo da FCT e da própria UA. Adquirem destaque as bolsas de doutoramento e as inseridas em projectos de investigação, sendo que a maioria dos bolseiros desenvolve a sua actividade em regime de exclusividade, apesar de existir todo um conjunto de actividades no apoio à docência e aos laboratórios que não se configuram formalmente como actividades paralelas.  

Quanto à satisfação/valorização profissional, concluímos que, apesar de a maioria dos bolseiros ter optado pela sua condição devido a um desejo seu para o futuro, denota-se um decréscimo do grau de satisfação à medida que os anos de experiência aumentam, o que denota uma crescente desmotivação e descontentamento. Os principais factores dessa insatisfação relacionam-se com a precariedade da condição de bolseiro e com as reduzidas perspectivas profissionais futuras, ainda mais quando a maioria ambiciona prosseguir a carreira de investigação e, apesar de em menor escala, a docência no Ensino Superior.  

Segundo a opinião dos bolseiros, há ainda outras alterações a ser feitas, nomeadamente, a revisão do Estatuto do Bolseiro de Investigação, a implementação de formas de avaliação do desempenho do bolseiro, modificações no regime de Segurança Social, actualização dos montantes das bolsas e a criação de medidas potenciadoras de um maior reconhecimento e respeito do trabalho desenvolvido pelo bolseiro (por exemplo no tratamento nos bolseiros de pós- doutoramento nas Unidades de Investigação).  Na análise às respostas dadas, compreendemos que existe ainda um trabalho a desenvolver por parte dos bolseiros e, concomitantemente, do NBIUA, no que respeita a manterem-se informados acerca de assuntos do seu interesse, tais como o Estatuto do Bolseiro de Investigação ou o regime de Segurança Social.